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The Nameless Blog

Já foi “Som das Letras” e um narcisista “Blogue da Paula”. Foi um prolongamento da eterna ínsula, tendo sido denominado como “Ilha Paula”. Hoje, é um blogue sem nome para que seja aquilo que sempre foi: um blogue sobre tudo e nada.

The Nameless Blog

Já foi “Som das Letras” e um narcisista “Blogue da Paula”. Foi um prolongamento da eterna ínsula, tendo sido denominado como “Ilha Paula”. Hoje, é um blogue sem nome para que seja aquilo que sempre foi: um blogue sobre tudo e nada.

Dia das Amigas. Está instalada a loucura nas ilhas

Já foi falado aqui e aqui, por isso não vou expôr o que acontece hoje nas ilhas do arquipélago dos Açores, mas não posso deixar de alertar quem está previsto aterrar naquelas ilhas: os homens existem ... mas hoje eles estão proíbidos de sair de casa. Hoje é o dia delas e, senhores, aquilo é a loucura.

 

Em jeito de resumo, a imagem abaixo ilustra da perfeição as diferentes formas de ver como se passa essa noite.

 

dia de amigas.png

 

Amanhã é que são elas. 

 

As mais sóbrias da noite não se esquecem das figurinhas que muitas fizeram na noite passada e as mais, digamos, afoitas vão querer um buraquinho para se esconderem.

 

É assim todos os anos. Somos assim: uns loucos com tradições estranhas.

 

A arte de fazer malassadas

Uma vez que não vou estar por Lisboa pelo Carnaval, no passado sábado juntei-me com uns amigos para confeccionar Malassadas – um doce típico micaelense que está presente em todas as mesas nesta altura do ano.

 

De acordo com a pesquisa efectuada enquanto nos deliciávamos com as malassadas acabadinhas de fazer, este frito é oriundo da Madeira (pois, afinal não é açoriano) e eram confeccionadas na terça-feira gorda ou terça-feira de Carnaval. Eram produzidas nesta altura do ano pois necessitavam de cozinhar algo com o açúcar e farinha que tinham a mais por casa e como uma forma de se prepararem para a Quarema que, como sabem, é uma época que os cristãos supostamente deverão fazer alguns sacrifícios gastronómicos. Assim sendo, para que o açúcar, a farinha e os ovos não se estragassem, os cristãos da altura faziam este doce.

 

Apesar de ser um frito madeirense, tivemos a oportunidade de perguntar a um natural desta ilha se era habitual confeccionarem as Malassadas. Segundo ele, sim, embora com grandes diferenças comparativamente às de São Miguel. Diz ele que as malassadas madeirenses levam aguardente e são feitas em bolas; em São Miguel são estendidas quase a fazer um formato de uma panqueca e, de acordo com as várias receitas que pesquisamos, não leva álcool.
 

Outra questão que se pesquisou foi a origem do nome. De onde vem a palavra “Malassada”? Todos os micaelenses devem estar a responder à questão dizendo que são Malassadas pois são mal-assadas. Pois, ao que parece, a origem da palavra vem de Melassadas, visto que é possível que originalmente este frito seria confeccionado com melaço, em vez que ser com açúcar, por este ser um produto de mais elevado preço. É possível que este “e” tenha sido transformado em “a” … é possível.

 

Dúvidas e origens à parte, soube bem o fim de tarde de sábado. No início, estávamos cépticos com aquilo que estávamos a fazer. Seguimos uma receita enviada por uma amiga da ilha e lá fomos nós à aventura. Foi um verdadeiro trabalho de equipa e, depois de terminada a labuta, deliciamo-nos com o nosso frito de Carnaval.

 

A nossa receita consiste em:

- 1 kg de farinha de trigo;

- 1 carteira de Fermipan;

- 7 colheres de óleo;

- raspa de 1 limão;

- 6 ou 7 ovos;

- uma pitada de sal;

- meio litro de leite

 

Esta massa necessita levedar por algumas horas. Se está a pensar em fazer para este Carnaval, faça a massa de véspera para que possa crescer convenientemente. Uma vez levedadas, a massa deve ser frita em óleo bem quente e, depois de confeccionadas, polvilhe com açúcar e canela.

 

Agora é só sentarmo-nos e deliciarmo-nos com este frito que nos faz lembrar a nossa ilha e a nossa infância. Acompanhe com uma chávena de chá preto e desfrute.

 

Cheiros de Natal

O que somos hoje é o reflexo de tudo o que vivemos até ao momento, sob a influência do meio, dos grupos, da educação e das memórias. E é sobre as memórias que hoje quero falar. Uma das minhas memórias de infância do Natal são os cheiros associados à época e liga-se a uma fruta: a tangerina, uma fruta, pelo menos de acordo com as minhas memórias da infância, natalícia.

Quando era miúda e existia o verdadeiro conceito de "fruta da época", eram estes citrinos que enchiam a nossa casa com o seu cheiro tão característico e por serem a fruta desta época, ficarão para sempre associados ao Natal.

Na casa dos meus avós maternos, a Árvore de Natal não tinha as bolas e estrelas brilhantes; a Árvore deles cheirava ao longe, uma vez que os seus enfeites eram os citrinos da época. 
Hoje em dia, se alguém ornamentasse a sua Árvore de Natal com tangerinas e manderinas, seria chamado de louco, no mínimo. Assim sendo, uma vez que seria ridículo ter fruta da Árvore, a Árvore tem os enfeites standarizados e a fruta está no sítio que lhe compete e a minha casa continua a ter os cheiros do Natal da minha infância.