Como ficar nostálgica em poucos minutos?
A resposta está na Time Out Lisboa desta semana.
Ora vejam a capa e eu já explico mais abaixo como a Time Out me colocou uma lágrima no canto do olho.
Não é que os fulanos conseguiram juntar numa só revista dois temas que me são saudosos? A saber, o bairro de Alvalade que, tal como diz o Malato, foi um sítio onde já fui muito feliz; e a década de noventa - a década eleita para ser revisitada em 2015 quer seja pela moda ou pelos remakes de séries que viveram o seu auge naqueles anos.
Ao virar de cada página revivi os anos que trabalhei em Alvalade, recordei os locais onde ia tomar café - saudades do Sr. Zé e da sua Ibiza; dos bolos da Pastelaria Rosa Doce e do seu Bolo Rei - o único Bolo Rei que comia sem ter de andar a catar as frutas cristalizadas; o Aqua Roma que me protegia da chuva no inverno e do calor abrasador no verão; as tias e os seus cabelos armados e os seus encontros na pastelaria do bairro; o Jardim Fernando Pessa, onde passei horas a ler à sombra acolhedora das árvores e tudo e tudo e tudo.
Depois, mais à frente, a nostalgia viajou mais de vinte anos no tempo. Mais de vinte anos, senhores!
Quando a década de 90 iniciou, aqui a je entrava oficialmente na adolescência e aquelas páginas (poucas) fizeram com que voltasse aos anos da preparatória, onde vi nascer um novo pavilhão - o D -, que iria ficar reservado, numa primeira fase, aos alunos do 9.º ano - os grandes, como nós os putos, os chamávamos; o tempo que estive sentada nos degraus deste bendito pavilhão quando chegou a minha vez de fazer parte dos grandes; as matinés dançantes organizadas pelos finalistas e que decorriam no polivalente da escola; as primeiras viagens; os primeiros cigarros (somos mesmo muito tontos na adolescência); os amores platônicos; o primeiro beijo; a secundária e a ida para a escola da cidade; o heavy metal; o grunge; os bad boys com um je ne sais quoi de betinho; o preto como cor eleita como a minha cor; fazer parte da geração que foi a cobaia para as provas globais e a primeira que entrou na universidade com os recém exames nacionais - aquela geração que foi apelidada, na altura, de geração rasca e que nos dias de hoje passou a ser a geração à rasca.
E, por falar em anos 90, lembrei-me que estou a falhar num desafio enviado pela Ritinha através do Facebook, o qual consiste em recordar 3 músicas que marcaram a nossa adolescência ... Vai daí que, já que me lembrei do assunto, vou tratar de arrumar o desafio de imediato. O pior do desafio será escolher APENAS três músicas de uma década que recebi como adolescente de 12 anos e me despedi já dita uma jovem adulta.
Claro que o desafio de que falo será tema de conversa daqui a dias porque será aqui que a 'estória' escondida atrás da música escolhida será desvendada.
Estejam atentos.


