Factor X
Desde Agosto que sigo o programa Factor X, transmitido na SIC. Desde então que tenho dois concorrentes que sigo tanto no programa como nas respectivas páginas de facebook: Mariana Rocha e Berg.
Coincidência ou não, os dois foram os grandes finalistas do programa: Mariana Rocha, uma miúda de 16 anos, minha conterrânea e dona de uma voz do tamanho do mundo e Berg, um senhor que esteve sempre colocado em segundo plano e que finalmente teve a oportunidade de mostrar aquilo que vale.
Ontem, o programa teve o seu fim. O Berg sagrou-se o vencedor. Irá gravar um álbum na Sony Music e terá, finalmente, a oportunidade de mostrar o seu valor.
Quando se soube quem seria o vencedor, vivi um misto de emoções, visto que queria muito que a Mariana ganhasse o programa, por ser açoreana, jovem, trabalhadora e dona de uma grande voz, mas ter ficado feliz por ver o Berg a ganhar a sua grande oportunidade.
Caiu o Carmo e a Trindade lá pelas minhas ilhas ... Começaram com as teorias da conspiração do triângulo ... Afinal, ao que parece, a Mariana perdeu por ser açoreana; perdeu porque os continentais não têm respeito pelos açoreanos; perdeu porque tinha que ganhar um continental ....
Enfim ...
Eu adoro as minhas ilhas e adoro as minhas gentes, mas não me venham com merdas!
Quando é que vão deixar de pensar de forma tão pequenina e com esta constante mania da perseguição que têm?
Por acaso, eu gostava de ver se a reacção seria a mesma se a Mariana fosse terceirense ou faialense em vez de ser micaelense. A sério que gostava!
Vamos parar com este bairrismo idiota. Sabem quem tem a mania da perseguição? Nós, açoreanos. Ou melhor, nós micaelenses - sentimo-nos pequeninos comparativamente ao continente e armamo-nos em grandes para com as outras ilhas.
É ou não é verdade? Como é que dizemos quando viajamos para as ilhas do Grupo Central, por exemplo? Dizemos que vamos às ilhas ... às ilhas, senhores! Como se não vivessemos numa ilha!!!
Já é altura de deixarmos de pensar que somos os coitadinhos que vivemos fechados numa ilha e que todos olham para nós como os tristes que vivem isolados numa ilha.
Não temos a culpa. Como acontece em todo o país, somos demasiadamente apegados ao passado e esta nossa maneira de pensar é ainda o reflexo dos tempos da dita senhora ou até mesmo do dito senhor que se pirou das ilhas no início da década de 90 (seja pelas alminhas do purgatório) e fez com que, finalmente, abrissemos os olhos e deixassemos de ver os Marretas e pouco mais. Mas fico triste ao ver que, passados estes anos, continuamos a ser tão pequeninos.