Novos na estante #2
Estrago-me aos fins-de-semana.
Passo pelo shopping sem qualquer objectivo de fazer compras. Ora vou ver as novidades para as novas estações, ora vou encher-me de calorias típicas de comida rápida e, pelo meio, passo pela Bertrand apenas com o simples objectivo de ficar a par dos títulos em destaque e os últimos lançamentos e, sem mais nem menos, saio com os braços cheios de sonhos em forma de livros. O bom da coisa é que não gastarei um cêntimo até à próxima Feira do Livro ou até à próxima ida à livraria, vá.
Ora vejam os novos títulos que jazem na estante à espera de se serem os próximos da lista dos lidos:
O Irmão Alemão, Chico Buarque
Sinopse: Aos 22 anos, Chico Buarque descobriu que tinha um irmão alemão.
Sérgio Buarque de Holanda, reputado historiador e crítico literário, pai de Chico, vivera na Alemanha entre 1929 e 1930, enquanto correspondente de um jornal. A efervescente Berlim dos anos 30 serviu de cenário a um romance com uma mulher alemã, de quem teve um filho que nunca chegou a conhecer. Chamava-se Sergio Ernst.
Quase cinco décadas depois da descoberta, Chico Buarque decidiu fazer da existência desse irmão - e do silêncio em torno dele - a matéria do seu próximo romance. Mas antes precisava de saber exactamente o que lhe acontecera.
Dessa busca nasce este romance. Magistralmente conduzida por um narrador obsessivo, delirante, megalómano e profundamente solitário sem o querer ser, a narrativa enreda o leitor numa trama em que realidade e devaneio se confudem permanentemente. A páginas tantas, a busca de narrador e autor passa a pertencer igualmente ao leitor, também ele desesperadamente procurando esse irmão desconhecido.
O Autor:
Francisco Buarque de Hollanda nasceu no Rio de Janeiro, em 1944. Compositor, cantor e ficcionista, publicou, além das peças Roda Viva (1968), Calabar, escrita em parceria com Ruy Guerra (1973), Gota d'Água, com Paulo Pontes (1975) e Ópera do Malandro (1979), a novela Fazendo Modelo (1974) e os romances Estorvo (1991), Benjamim (1995), Budapeste (2003) e Leite Derramado (2009).
Já lido:
Budapeste (2003) e a frase que mais me recordo da obra - “O Danúbio, pensei, era o Danúbio mas não era azul, era amarelo, a cidade toda era amarela, os telhados, o asfalto, os parques, engraçado isso, uma cidade amarela, eu pensava que Budapeste fosse cinzenta, mas Budapeste era amarela”.
Hotel Sunrise, Victoria Hislop
Sinopse: Famagusta, no Chipre, é uma cidade dourada pelo calor e pela sorte, o resort mais requisitado do Mediterrâneo. Um casal ambicioso decide abrir um hotel que prime pela sua exclusividade, onde gregos e cipriotas turcos trabalhem em harmonia.
Duas famílias vizinhas, os Georgious e os Ozkans, encontram-se entre os muitos que se radicaram em Famagusta para fugir aos anos de inquietação e violência étnica que proliferam na ilha. No entanto, sob a fachada de glamour e riqueza da cidade, a tensão ferve em lume brando ...
Quando um golpe dos gregos lança a cidade no caos, o Chipre vê-se a braços com um conflito de proporções dramáticas. A Turquia avança para proteger a minoria cipriota turca e Famagusta sucumbe sob os bombardeamentos. Quarenta mil pessoas fogem dosavanços das tropas.
Na cidade deserta, restam apenas duas famílias.
Esta é a história.
A Autora:
Victoria Hislop, autora muito acarinhada pelo público português, é escritora e jornalista. Escreve artigos sobre viagens para o The Sunday Telegraph, artigos sobre educação para o The Daily Telegraph e diversos artigos generalistas para a Woman & Home. Actualmente, vive em Kent com a família. O seu primeiro livro, A Ilha, vendeu mais de 3 milhões de exemplares em todo o mundo e foi adaptado à televisão.
Já lido:
A Ilha (2005) - o melhor, na minha opinião
A Arca (2008) - aqui
O Regresso (2011)
Fernando Pessoa - O Romance, Sónia Louro
Sinopse: Este é o romance biográfico de Fernando Pessoa, o poeta que foi muitos poetas. Órfão de pai aos cinco anos de idade, cedo perde a atenção da mãe quando esta volta a casar. Forçando a partir para a distante África do Sul, onde o nascimento de irmãos o isolam ainda mais, refugia-se em si mesmo e aí cria novos mundos.
No fim da adolescência regressa a Lisboa, na vã tentativa de resgatar os poucos momentos da vida em que fora feliz. Aí conhece personalidades do mundo das artes e da literatura, como Almada Negreiros, Mário de Sá-Carneiro ou Adolfo Casais Monteiro. É um dos fundadores da Orpheu, uma revista artística que foi recebida com escândalo pela crítica. Correspondente comercial, inventor, tradutor, editor, publicitário e astrólogo, Fernando Pessoa procurou várias formas de ganhar a vida. E até o amor lhe bateu à porta quando conheceu Ophélia Queiroz.
Fernando Pessoa, O Romance é uma obra magnífica, fruto de uma pesquisa meticulosa, e uma verdadeira homenagem ao maior poeta da língua portuguesa. Um poeta que Sónia Louro consegue dissecar, desvendando os seus segredos, medos, sonhos e, mais importante, a sua humanidade.
A Autora:
Sónia Louro nasceu em 1976 em França. Desde cedo apaixonada pelas Ciências e pela Literatura, acabou por optar academicamente pela primeira, mas nunca abandonou a sua outra paixão. Licenciou-se em Biologia Marinha, mas não perdeu de vista a Literatura, à qual veio depois aliar um outro interesse: a História. Fruto desse casamento, já publicou entre nós A Vida Secreta de Dom Sebastião, O Cônsul Desobediente, A Verdadeira Peregrinação, Amália - O Romance da Sua Vida e ainda participou em Pulp Fiction Portuguesa, com outros autores. Sofisticada e minuciosa, além de apaixonada pelas obras que escreve, Sónia Louro traz-nos agora Fernando Pessoa - O Romance, uma obra que fazia falta no panorama literário português.
Já lido:
O Cônsul Desobediente (2009)
Podem ler sobre a obra aqui.
Enquanto houver estrelas no céu, Kristian Harmel
Sinopse: Desde sempre, Rose, ao entardecer, olhava o céu em busca da estrela da tarde. Era aquela estrela, agora que a sua memória a estava a abandonar, que lhe permitia recordar-se de quem era e de onde vinha; que a transportava para os seus dezassete anos, para uma confeitaria nas margens do Sena. Ninguém conhecia a sua história nem sequer a sua neta, Hope. Num dos seus raros momentos de lucidez sente que é importante falar-lhe de um passado longínquo, que manteve em segredo durante setenta anos e que em breve ficará perdido para sempre.
Para Hope esta será também uma viagem de descoberta: de tradições religiosas há muito diluídas, de histórias vividas numa Paris ocupada onde o amor sobrevive e, sobretudo, da sua capacidade de recomeçar e acreditar em si mesma.
A Autora:
Kristin Harmel formou-se em Jornalismo e Comunicação na Universidade da Florida. Tem exercido a profissão de jornalista na televisão e em revistas como People, Ladie's Home Journal e Woman's Day entre outras.
Os seus livros estão traduzidos em inúmeros países, onde alcançaram notável sucesso.
Actualmente vive em Orlando, na Florida.
Já lido:
Nenhum. Aqui estamos numa completa estreia.
O Miniaturista, Jessie Burton
Sinopse: Num dia de outono de 1686, a jovem Nella Oortmann, recém-casada com um próspero mercador de Amesterdão, Johannes Brandt, chega à cidade na expectativa da vida esplendorosa que este casamento auspicioso lhe promete. Mas, entre a amabilidade distante do marido e a presença repressiva de Marin, a cunhada, Nella sente-se sufocar no luxo sumptuoso mas pouco acolhedor da sua nova existência. Até que um dia, Johannes lhe oferece uma réplica perfeita, em miniatura, da casa onde vivem.
Nella encomenda então a um miniaturista algumas peças para ornamentar a casa. Mas algo de surpreendente acontece: novas encomendas de miniaturas continuam a chegar sem terem sido solicitadas, réplicas perfietas de cada um dos dos habitantes da casa, como presságios silenciosos de futuras tragédias, que desvelam segredos há muito guardados.
Um romance de estreia magnífico, sobre amor e traição, que evoca com grande sensualidade a atmosfera da Amesterdão do século XVII, erigida sobre a riqueza da Companhia Holandesa das Índias Orientais, mas espartilhada pela mentalidade puritana da sociedade de então.
A Autora:
Jessie Burton nasceu em Inglaterra em 1982. Estudou na Universidade de Oxford e na Central School of Speech and Drama. O Miniaturista, o seu primeiro romance, tornou-se um bestseller do New York Times e do Sunday Times. Foi Livro do Ano da Waterstons e recebeu o Specsavers National Book Award Best New Writer of the Year.
Já lido:
Sendo o romance de estreia, nada.
Viagem ao Infinito - A extraordinária história de Jane e Steve Hawking, Jane Hawking
Sinopse: O professor Stephen Hawking é um dos cientistas mais notáveis e famosos da nossa era, e autor do bestseller científico Uma Breve História do Tempo, que já vendeu mais de 25 milhões de exemplares. Nestas fascinates memórias, Jane Hawking, a primeira mulher de Stephen Hawking, apresenta-nos a história do seu extraordinário casamento vista por dentro. Enquanto o prestígio académico de Stephen disparava, o seu corpo cedia aos assaltos da doença neuromotora. O relato de Jane, em que descreve como tentava equilibrar os cuidados constantes que o marido exigia com as necessidades com as necessidades de uma família em crescimento, é uma inspiração para todos. A força interior da autora e o carácter e feitos do seu marido dão corpo a uma história incrível, apresentada com uma honestidade inabalável; continuando presente quando o casamento chega ao fim nyum colapso bastante mediático, em que Stephen troca Jane por uma das suas enfermeiras, enquanto Jane se casa com um velho amigo da família.
Neste livro, Jane Hawking enfrenta não só os dilemas extremamente complicados e dolorosos do seu casamento com Stephen Hawking, como também as linhas de fratura expostas numa relação por meio dos efeitos insinuantes da fama e da riqueza. O resultado é um livro sobre optimismo, amor e mudança que encontrará eco em leitores de todo o mundo.
A Autora:
A Dra. Jane Hawking foi mulher de Stephen Hawking durante mais de um quarto de século e juntos tiveram três filhos. É escritora e conferencista. Ensina literatura e canto coral.Vive e trabalha em Cambridge. O seu livro Viagem ao Infinito, em que conta a história da sua vida com Stephen Hawking, foi agora adaptado para cinema em A Teoria de Tudo.
Já lido:
Nenhum.
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E, para aqueles que ainda cá estão depois desta longa apresentação, informo que a imagem mais à esquerda da colagem que introduz este post, é um saquito comprado na bendita Bertrand (2,50€) - uma edição limitada e comemorativa de Sophia de Mello Breyner Andresen, cujo desenho é da autoria de Ana Teresa Fernandes.
