Zé Luís qualquer coisa
Nesta altura do ano é normal assistir a cenas insólitas como pessoas que entram pela primeira vez numa livraria. Aconteceu hoje à minha frente, quando andava a ver as novidades literárias. Eis o diálogo:
- Bom dia! Ando à procura de um livro de um escritor português. Zé Luís qualquer coisa ou isso.
- José Luís Peixoto?
- Sim, acho que é isto.
- E qual o livro que procura?
É nesta altura que se faz silêncio e o diálogo tem um ligeiro intervalo e quando se ouvem os grilos.
- Hum! Não sei!
- Galveias? - pergunta a funcionária - Provavelmente é este que procura, visto ser o último lançado pelo escritor.
- Pois, provavelmente é este mesmo.
Vão elas à procura do livro do Zé e, quando regressam ao caixa, a funcionária da livraria questiona quase como uma afirmação:
- Vai querer talão de oferta para uma eventual troca?
- Sim, talvez seja melhor.
E é isto que acontece quando se entra num território fora da nossa zona de conforto.
Eu sei o que a mulher sentiu. É o mesmo quando entro numa loja especializada em tecnologia - sempre que abro a boca, juro que pareço a minha avó a falar.