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The Nameless Blog

Já foi “Som das Letras” e um narcisista “Blogue da Paula”. Foi um prolongamento da eterna ínsula, tendo sido denominado como “Ilha Paula”. Hoje, é um blogue sem nome para que seja aquilo que sempre foi: um blogue sobre tudo e nada.

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Já foi “Som das Letras” e um narcisista “Blogue da Paula”. Foi um prolongamento da eterna ínsula, tendo sido denominado como “Ilha Paula”. Hoje, é um blogue sem nome para que seja aquilo que sempre foi: um blogue sobre tudo e nada.

Dia das Amigas. Está instalada a loucura nas ilhas

Já foi falado aqui e aqui, por isso não vou expôr o que acontece hoje nas ilhas do arquipélago dos Açores, mas não posso deixar de alertar quem está previsto aterrar naquelas ilhas: os homens existem ... mas hoje eles estão proíbidos de sair de casa. Hoje é o dia delas e, senhores, aquilo é a loucura.

 

Em jeito de resumo, a imagem abaixo ilustra da perfeição as diferentes formas de ver como se passa essa noite.

 

dia de amigas.png

 

Amanhã é que são elas. 

 

As mais sóbrias da noite não se esquecem das figurinhas que muitas fizeram na noite passada e as mais, digamos, afoitas vão querer um buraquinho para se esconderem.

 

É assim todos os anos. Somos assim: uns loucos com tradições estranhas.

 

Dia das Amigas

Se na passada quinta-feira acharia estranho ver apenas homens nas ruas das ilhas, hoje a coisa é exactamente o oposto – a mulherada sai à rua em massa para festejar o Dia das Amigas.

 

A comemoração não é muito diferente da que foi feita pelos homens. Elas saem em grupo, muitas delas com adereços a puxar o erotismo, outras mais viradas para a brejeirice, têm um jantar bem regado e, no fim, quando o estômago já se encontra preenchimento e o álcool corre desenfreadamente nas veias, é a  p*** da loucura: as luzes dos espaços de restauração são colocadas a meia-luz para dar aquele ar “tcham” e uns meninos com uns corpitos trabalhados entram em cena para delírio da assistência e ficam, digamos, um quanto ou pouco desnudados.

 

Mas não fiquem com a ideia que as mulheres das ilhas são umas doidivanas, já que este dia é igualmente comemorado de forma mais pacata por muitas pessoas, apenas com um fantástico jantar na companhia das nossas melhores amigas. Bebe-se um copito ou outro e nada mais. Porém, em bom rigor, é também verdade que, para a maior parte das senhoras, o Dia das Amigas é sinónimo de soltar a franga (no bom sentido, claro) e ver um striptease masculino. Não as condeno … Longe de mim! Sei o que sofrem, visto que, como não existem casas dedicadas a este ramo na ilha, têm de esperar um ano inteiro para ter uma noite mais caliente.

 

Nos vinte e oito anos que vivi na ilha, apenas comemorei “dignamente” o Dia das Amigas.

Éramos quatro moçoilas – uma casada, duas solteiras e desimpedidas e uma comprometida e, pela primeira vez na vida, fomos comemorar um Dia das Amigas como manda a lei – uma delas tinha um amigo dono de um restaurante e fomos com a condição dele nos colocar numa mesa o mais longe possível do palco – queríamos assistir mas bem longe da verdadeira loucura, para não corrermos o risco de sermos puxadas para o palco e fazer parte do espectáculo.

 

Claro que já sabem o que aconteceu, não é verdade?

 

Ao chegarmos, o dono do restaurante levou-nos à nossa mesa que … txaram … estava mesmo em frente ao palco.

 

Ui! Que medo!

 

Jantámos, bebemos, conversámos … tivemos uma noite fantástica. A luz desce e a banda sonora da sala muda drasticamente para aqueles temas musicais que servem, muitas vezes, para criar um ambiente porreiro para fazer bebés.

 

É agora! Vai começar!

 

E lá veio o primeiro moçoilo … Credo! Que pedaço de mau caminho! Ele lá dançou à laia de aquecimento para o que pretendia fazer a seguir e, nós quietinhas a ver se ficávamos invisíveis aos olhos do rapazinho.

Ele olha para a sala à procura de algum olhar que se cruzasse com o dele. Nós baixamos a cara ou começámos a falar umas com as outras, como se estivéssemos numa simples mesa de uma esplanada a tomar café. Ele viu que dali que não tinha nada e foi até à mesa do lado e levou a sortuda (ou não) para o palco …

 

Ufa! Desta já nos safamos! Agora já podemos voltar ao nosso estado normal e desfrutar da dança do menino que veio de avião.