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The Nameless Blog

Já foi “Som das Letras” e um narcisista “Blogue da Paula”. Foi um prolongamento da eterna ínsula, tendo sido denominado como “Ilha Paula”. Hoje, é um blogue sem nome para que seja aquilo que sempre foi: um blogue sobre tudo e nada.

The Nameless Blog

Já foi “Som das Letras” e um narcisista “Blogue da Paula”. Foi um prolongamento da eterna ínsula, tendo sido denominado como “Ilha Paula”. Hoje, é um blogue sem nome para que seja aquilo que sempre foi: um blogue sobre tudo e nada.

Mês de regressos ou de saudades?

Passados nove dias do início do mês de Setembro, muito se tem escrito sobre ele – é o mês do regresso às aulas e ao trabalho; é o mês da despedida das férias e de contagem final para as cores de Outono e para os dias mais curtos; é o mês que, muito provavelmente e pelas razões que enumerei, mais pessoas vivem num estado de inércia e depressivo.

 

Setembro é o mês muito querido para mim. A par de Maio, este mês é-me bastante especial. É o mês de regresso a casa; é altura de rumar às ilhas de bruma e viver uns dias na pacatez no berço. Desta vez a ida será efémera, porém cheia de emoções.

 

Desde que rumei a este rectângulo, que tanto aprecio, faço de tudo para tirar uns dias para estar com os meus, para estar rodeada daquele verde que é tão verde que até sufoca e olhar para aquele mar tão azul que nos enche a alma; passar as mãos pela rocha negra; passear nas areias grossas; deliciar-me com as iguarias que só ali se come e que lá sabem bem.

 

Todos os anos tem sido assim. Começa Setembro e a contagem para entrar no avião e aterrar em solo micaelense é constante e, este ano, não é excepção. Se bem que estarei no berço uns míseros 3 dias, será o suficiente de regressar à nova casa (mas nunca berço) com as energias renovadas 

 

Setembro é como se fosse Natal – tempo de família, de amor, de carinho, de mimos, de colo, de beijos e abraços. Setembro é mês de saudades, de as matar e, depois, senti-las ainda com mais intensidade. É mês de reencontros; é mês de família e de amigos; é mês de copos; é mês de religião; é mês de risos.

 

É mês de ilha!

 

Ah! Também é mês de casamento. Ou melhor, é mês de comemorar O casamento. Mas estes são outros quinhentos e ficarão para próximas núpcias.

Stay tuned!

A arte de fazer malassadas

Uma vez que não vou estar por Lisboa pelo Carnaval, no passado sábado juntei-me com uns amigos para confeccionar Malassadas – um doce típico micaelense que está presente em todas as mesas nesta altura do ano.

 

De acordo com a pesquisa efectuada enquanto nos deliciávamos com as malassadas acabadinhas de fazer, este frito é oriundo da Madeira (pois, afinal não é açoriano) e eram confeccionadas na terça-feira gorda ou terça-feira de Carnaval. Eram produzidas nesta altura do ano pois necessitavam de cozinhar algo com o açúcar e farinha que tinham a mais por casa e como uma forma de se prepararem para a Quarema que, como sabem, é uma época que os cristãos supostamente deverão fazer alguns sacrifícios gastronómicos. Assim sendo, para que o açúcar, a farinha e os ovos não se estragassem, os cristãos da altura faziam este doce.

 

Apesar de ser um frito madeirense, tivemos a oportunidade de perguntar a um natural desta ilha se era habitual confeccionarem as Malassadas. Segundo ele, sim, embora com grandes diferenças comparativamente às de São Miguel. Diz ele que as malassadas madeirenses levam aguardente e são feitas em bolas; em São Miguel são estendidas quase a fazer um formato de uma panqueca e, de acordo com as várias receitas que pesquisamos, não leva álcool.
 

Outra questão que se pesquisou foi a origem do nome. De onde vem a palavra “Malassada”? Todos os micaelenses devem estar a responder à questão dizendo que são Malassadas pois são mal-assadas. Pois, ao que parece, a origem da palavra vem de Melassadas, visto que é possível que originalmente este frito seria confeccionado com melaço, em vez que ser com açúcar, por este ser um produto de mais elevado preço. É possível que este “e” tenha sido transformado em “a” … é possível.

 

Dúvidas e origens à parte, soube bem o fim de tarde de sábado. No início, estávamos cépticos com aquilo que estávamos a fazer. Seguimos uma receita enviada por uma amiga da ilha e lá fomos nós à aventura. Foi um verdadeiro trabalho de equipa e, depois de terminada a labuta, deliciamo-nos com o nosso frito de Carnaval.

 

A nossa receita consiste em:

- 1 kg de farinha de trigo;

- 1 carteira de Fermipan;

- 7 colheres de óleo;

- raspa de 1 limão;

- 6 ou 7 ovos;

- uma pitada de sal;

- meio litro de leite

 

Esta massa necessita levedar por algumas horas. Se está a pensar em fazer para este Carnaval, faça a massa de véspera para que possa crescer convenientemente. Uma vez levedadas, a massa deve ser frita em óleo bem quente e, depois de confeccionadas, polvilhe com açúcar e canela.

 

Agora é só sentarmo-nos e deliciarmo-nos com este frito que nos faz lembrar a nossa ilha e a nossa infância. Acompanhe com uma chávena de chá preto e desfrute.