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The Nameless Blog

Já foi “Som das Letras” e um narcisista “Blogue da Paula”. Foi um prolongamento da eterna ínsula, tendo sido denominado como “Ilha Paula”. Hoje, é um blogue sem nome para que seja aquilo que sempre foi: um blogue sobre tudo e nada.

The Nameless Blog

Já foi “Som das Letras” e um narcisista “Blogue da Paula”. Foi um prolongamento da eterna ínsula, tendo sido denominado como “Ilha Paula”. Hoje, é um blogue sem nome para que seja aquilo que sempre foi: um blogue sobre tudo e nada.

Carnaval na ilha

Quando se fala em Carnaval, a frase que vem mais rapidamente à cabeça é "cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso." Talvez por esta razão - do seu a seu dono - deixei de festejar o Carnaval desde que me mudei para a capital. Aceito os diferentes gostos e formas de se festejar esta data, porém não consigo me identificar com as carnavalices continentais onde, na maior parte dos locais, é uma adaptação barata (e fria, bem mais fria) do Carnaval que se vê e se sente em terras de Vera Cruz. E, como seu blogue é, como se lê na sua descrição, uma extensão da minha ilha, aproveito o tempo de antena para vos dar a conhecer como se comemora o Carmaval na minha ilha - São Miguel.

 

Se bem que, ultimamente, existem outras festas que estão, passo a passo, a abafar o Grande Baile de Carnaval do Coliseu Micaelense, quer seja pelo preço absurdo do bilhete, quer seja pela indumentária mais formal, é mesmo desta grande tradição da sociedade micaelense que vou falar: do Grande Baile de Carnaval do Coliseu Micaelense. À hora que escrevo este post, a sala já deve estar composta, porém ligeiramente aquém da enchente de foliões que irão encher a pista e que irão dançar até que os primeiros raios do sol desvendam a noite que diz estar fechada (a série de voos cancelados a caminho da ilha têm sido uma constante durante o dia de hoje). Elas com os seus vestidos de gala, eles de smoking; ambos acompanhados com cestas enfeitadas e repletas de bebida e de comida suficientes para aguentarem a noite.

 

A abertura oficial do Baile é feita, como não poderia deixar de ser, com uma valsa. O professor Luís Arruda - um habitué nestas andanças - escolhe uma das suas alunas de Danças de Salão e é vê-lo a repodiar pela pista ao som dos clássicos deste género musical. Depois, timidamente, um ou outro casal aventura-se e acompanha o casal mais profissional com os seus passos. Aos poucos, a pista enche-se; a vergonha é esquecida; o não saber dançar valsa não é desculpa por não se atirar à pista e dar uns passinhos para a esquerda e outros para a direita. O Baile está a começar:

Depois? Depois é a loucura!

Começam os primeiros acordes dos clássicos carnavalescos, com medleys conhecidos por todos e cantarolados em coro pela multidão. A pista torna-se demasiado pequena para todos os que compravam o seu bilhete para festejar o Carnaval no Coliseu Micaelense. Mas não há qualquer problema, já que tudo o que é espaço livre é espaço dançável: camarotes, escadas, hall, corredores (até as casas-de-banho ou a fila de espera para chegar até lá são locais válidos para se dançar ao som do meu amigo Charlie Brown).

 O dia acordou. Os raios do Sol iniciam a desvendar a noite. A festa continua até ao momento que alguém sobe ao palco e diz "Meus amigos, por este ano acabou. Vamos todos para casa e cá vos espero para o próximo ano." A sala, antes em silêncio, aplaude e, serena e ordeiramente, os foliões saem do Coliseu - uns mais tombados do que outros - ainda a cantarolarem a música que mais os marcou na noite que agora terminou. Uns vão direitinhos para casa; outros ainda têm forças e vão tomar o pequeno-almoço ao Mascote ou ao Royal; uns ainda deixam-se ficar sentados nos degraus da Igreja Matriz em amena cavaqueira e com os últimos prepartivos para a segunda parte da festa: a Batalha de água.

 

Mas, paremos por aqui, a Batalha de Água será assunto para futuras núpcias.

 

Em bom rigor, devo informar que a parte final deste texto poderá não estar muito perto da realidade. Como já não frequente o Coliseu Micalense há mais de dez anos, não posso garantir que ainda há alguém que sobe ao palco e diz a frase que tentei reproduzir acima, como também não posso garantir que os foliões vão tomar o pequeno-almoço ao locais mais tradicionais do centro histórico da cidade.

No meu tempo a coisa funcionava da forma que descrevi e é assim que eu quero recordar o Grande Baile do Coliseu Micaelense, mesmo sabendo que há a forte probabilidade da coisa estar deveras diferente e ser este o motivo que muitos dos foliões da minha altura preferirem o Baile "Verde e Amarelo", que acontece na Vila da Povoação.