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The Nameless Blog

Já foi “Som das Letras” e um narcisista “Blogue da Paula”. Foi um prolongamento da eterna ínsula, tendo sido denominado como “Ilha Paula”. Hoje, é um blogue sem nome para que seja aquilo que sempre foi: um blogue sobre tudo e nada.

The Nameless Blog

Já foi “Som das Letras” e um narcisista “Blogue da Paula”. Foi um prolongamento da eterna ínsula, tendo sido denominado como “Ilha Paula”. Hoje, é um blogue sem nome para que seja aquilo que sempre foi: um blogue sobre tudo e nada.

Para o melhor pai do mundo

Hoje comemora-se o Dia do Pai.

 

A data deste Dia, ao contrário do Dia da Mãe, é sempre o dia 19 de Março – dia de São José, pai terreno de Jesus – e é celebrado como o dia de todos os pais em países como Portugal, Espanha, Itália, Andorra, Bolívia, Honduras e Liechstenstein.

 

Na origem deste Dia existem duas histórias:

- A instauração do Dia do Pai teve origem nos Estados Unidos da América, em 1909. Sonora Luise, filha de um militar resolveu criar o Dia dos Pais motivada pela admiração que sentia pelo seu pai, William Jackson Smart. A festa foi ficando conhecida em todo o país e em 1972, o presidente americano Richard Nixon oficializou o Dia dos Pais.

- Na Babilónia, em 2000 A.C. um jovem rapaz de nome Elmesu escreveu numa placa de argila uma mensagem para o seu pai, desejando saúde, felicidade e muitos anos de vida ao seu pai.

 

Diz a tradição que seja entregue uma prenda ao pai para homenagear o pai. As crianças costumam oferecer prendas simbólicas como trabalhos manuais, músicas e poemas que fazem na escola. Seja qual for a prenda, a melhor é aquela que tenha um sublime significado, uma demonstração de amor e de carinho por aquele que nos gerou. 

 

Esta é a minha:

 

Ter um Pai! É ter na vida
Uma luz por entre escolhos ;
É ter dois olhos no mundo
Que vêem pelos nossos olhos!

Ter um Pai! Um coração
Que apenas amor encerra,
É ver Deus, no mundo vil,
É ter os céus cá na terra!

Ter um Pai! Nunca se perde
Aquela santa afeição,
Sempre a mesma, quer o filho
Seja um santo ou um ladrão ;

Talvez maior, sendo infame
O filho que é desprezado
Pelo mundo ; pois um Pai
Perdoa ao mais desgraçado!

Ter um Pai! Um santo orgulho
Pró coração que lhe quer
Um orgulho que não cabe
Num coração de mulher!

Embora ele seja imenso
Vogando pelo ideal,
O coração que me deste
Ó Pai bondoso é leal!

Ter um Pai ! Doce poema
Dum sonho bendito e santo
Nestas letras pequeninas,
Astros dum céu todo encanto!

Ter um Pai! Os órfãozinhos
Não conhecem este amor!
Por mo fazer conhecer,
Bendito seja o Senhor!

 

-- Florbela Espanca –

 

36 anos sem Nemésio

Nascido a 19 de Dezembro de 1901, na Praia da Vitória, ilha Terceira, Vitorino Nemésio foi poeta, escritor, ficcionista, cronita, ensaísta, biógrafo, historiados da literatura e da cultura, jornalista, investigador, epistológrafo, filólogo - um intelectual, na verdadeira essência da palavra. Destacou-se como romancista, com a publicação do seu Mau Tempo no Canal, um clássico da literatura portuguesa do século XX. As suas raízes insulares, nunca esquecidas, o quotidiano da vida de um ilhéu e as recordações da sua infância, são temas que percorrem a sua obra, com a presença das coisas simples da vida e das suas gentes.

Hoje faz 36 anos que Vitorino desapareceu deste mundo e esta é a minha singela homenagem a um homem da Ilha. E que melhor homenagem, de um ilhéu para outro, do que transcrever um dos seus poemas?

     

Tenho uma saudade tão braba
Da ilha onde já não moro,
Que em velho só bebo a baba
Do pouco pranto que choro.

Os meus parentes, com dó,
Bem que me querem levar,
Mas talvez que nem meu pó
Mereça a Deus lá ficar.

Enfim, só Nosso Senhor
Há-de decidir se posso
Morrer lá com esta dor,
A meio de um Padre Nosso.

Quando se diz «Seja feita»
Eu sentirei na garganta
A mão da Morte, direita
A este peito, que ainda canta.

 

Vitorino Nemésio

 In, "Caderno de Caligraphia e outros Poemas a Marga"

 

 

Cancioneiro Açoreano #3

Hoje, apresento-vos o poema "Maré e Natividade", um original de Aníbal Raposo, músico e compositor natural da ilha de São Miguel.

Sempre que me sinto mais vazia e necessito de um porto de abrigo, refugio-me na sua melodia. Ouço-a, fico mais quente, mais cheia e mais feliz.

 

 

O meu amor é como o mar revolto...
Sendo tu o porto
Em que me abrigo após
Cada tormenta nesta lida
Lenta que começa ao despertar

Às vezes não te vou mentir
Eu sinto a febre de partir
Mas ao pensar em ti
Ao ver a luz do teu olhar
Não sei porquê
Acabo por ficar

O meu amor é um abandono
Tão suave como a luz do Outono
Mistura de tristeza e de alegria
Tu és pra mim
Assim como o romper de um novo dia

Às vezes só por um instante
Pressinto-te distante
Mas logo um beijo doce
Um breve abraço
Dois segredosAfastam para longe
Estes meus medos

 

 

Ser ilhéu não se explica, vive-se e sente-se.