Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

The Nameless Blog

Já foi “Som das Letras” e um narcisista “Blogue da Paula”. Foi um prolongamento da eterna ínsula, tendo sido denominado como “Ilha Paula”. Hoje, é um blogue sem nome para que seja aquilo que sempre foi: um blogue sobre tudo e nada.

The Nameless Blog

Já foi “Som das Letras” e um narcisista “Blogue da Paula”. Foi um prolongamento da eterna ínsula, tendo sido denominado como “Ilha Paula”. Hoje, é um blogue sem nome para que seja aquilo que sempre foi: um blogue sobre tudo e nada.

Notas em tempo de quarentena #1

E se fosse verdade, Marc Levy

No intervalo das lides domésticas, do teletrabalho e da atenção que a família nos pede, tenho andado a organizar as estantes cá de casa. No meio de tanta tralha, vou descobrindo algumas pérolas que, na altura, tinham sido escritas ou anotadas para, posteriormente, publicar aqui, mas, tendo em conta a minha ausência tão prolongada, muita coisa ficou na gaveta e, agora que a malta tem mais algum tempo (será que tem?), vou tentar passar para este meu cantinho aquilo que não viu a luz do dia mais cedo.

Hoje, passei os olhos por uma citação do livro E se fosse verdade, de Marc Levy.

Não sei qual foi a razão de ter transcrito esta passagem em vez de outra, mas hoje ao reler, vi que tudo tem o seu timing e a sua razão de ser. Assim, transcrevo aquilo que, na altura, achei bastante interessante.

 

- Então abre os olhos e observa bem tudo à tua volta. As boas recordações não devem ser efémeras. Embebe-te das cores e das matérias. Essa será a origem dos teus gostos e das tuas nostalgias quando fores um homem.

- Mas eu sou um homem!

- Eu queria dizer um adulto.

- Somos assim tão diferentes, nós, as crianças?

- Sim! Nós, os crescidos temos anguústias que a infância ignora. Medos, se quiseres.

- Tens medo do quê?

Ela explicou-lhe que os adultos tinham medo de toda a espécie de coisas, medo de envelhecer, medo de morrer, medo daquilo que não viveram, medo da doença, por vezes até do olhar das crianças, medo de que os julguem.

 

O bom e o mau da quarentena

O bom:

  • Não ter de acordar muito cedo para se deslocar para o trabalho;
  • Não ter de apanhar transportes públicos carregadinhos de gente;
  • Não stressar logo pela fresca com pessoas que não sabem respeitar as entradas e saídas nos transportes públicos (leia-se metro);
  • Poupança. Comes em casa, não vais ao shopping apenas para ver as montras e sais de lá com meia dúzia de sacos, não gastas uma média de 2,60€ por dia em café (partindo do pressuposto que tomas 4 cafés por dia, a 0,60€ cada;
  • Trabalhas em casa;
  • O silêncio e as poucas pessoas que vês pelas ruas

 

O mau:

  • Tens de fazer um jogo de cintura brutal quando és mãe, esposa e profissional e necessitas coordenar as lides domésticas, com os teus deveres profissionais e dares atenção ao(s) teu(s) filho(s);
  • Pensares com bastante antecedência sobre aquilo que necessitas ter em casa, como forma de não estar constantemente na rua. Nunca foi tão importante como hoje ter o dia organizado e listas para tudo e mais um par de botas;
  • Não poder ir laurear a pevide só porque sim e ficar confinada às paredes da tua casa, especialmente se vives num caixote, sem uma varandinha para esticar as pernas

 

Quando isto tudo passar, que lição iremos levar desta experiência?

Iremos alterar a nossa forma de ver o mundo e as pessoas? Ou iremos manter a nossa maneira de ser?

 

Já disse que, na minha opinião, os meus dias pós-quarentena (que prevejo ser bastante mais longa do que os 15 dias anunciados pelo Governo) serão de “Paz & Amor”. Porém, rapidamente, ficaremos os mesmos e, digamos que, na sua maioria, não será uma coisa agradável de se ver.